Usar a fé como base para governar não é uma questão atual, logicamente, mesmo com origens mais distantes do que possamos imaginar, durante a Idade Média, por exemplo, a religião se fez como uma forte ferramenta social e política.
A humanidade necessita de algo para acreditar. Nesse sentido vejo a religião como um ícone importante dentro da sociedade, principalmente por transmitir alguns valores que deveriam tornar nossa convivência um pouco mais possível dentro de um planeta já bastante habitado. De fato isso acontece em alguns locais ao redor do mundo, citar o Brasil é bastante coerente, vivemos em um país com uma diversidade enorme de crenças que pouco se chocam diretamente ou de maneira violenta como em outras nações, a exemplo das do Oriente Médio.
Ao mesmo tempo em que vemos o Ocidente relativamente em paz com suas questões religiosas, assistimos a inúmeros conflitos que assolam o Oriente. A fé assume um papel paradoxal, mas acredito que não por sua essência, mas sim pela sua utilização. Usar a religião como instrumento social é perfeitamente plausível, se flexível, abrange uma parte da população de forma voluntária e provavelmente não causará maiores tensões. Já a utilização de uma determinada crença como instrumento político, no sentido de se governar sob seus preceitos, é extremamente perigosa. Não há uma sociedade tão homogênea que não apresente minorias, principalmente no contexto atual, marcado pelo intercâmbio da informação e da cultura possibilitado pelo avanço da Globalização.
É óbvio que as questões religiosas vem perdendo espaço com o passar dos anos, principalmente, acredito eu, por seu conservadorismo extremado. Há quem diga que a população já não acredita mais em nada, eu vejo por um outro ângulo, a população não quer acreditar em algo que limite suas ações, que praticamente o exclua do mundo em prol da salvação. A religião e não falo só da cristã, continua sendo materialista num período em que as pessoas começam a entender gradualmente que há diferenças entre o que vestir e o que sentir, o que aparentar e o que ser. Materialismo impera no lugar do espiritualismo dentro do contexto religioso. Seria outro paradoxo?
Enfim, apesar de não seguir nenhuma religião, tenho minhas crenças e a minha fé individual em algo que eu mesmo criei, algo que possa projetar tudo aquilo que eu gostaria de ser, mas não tenho sabedoria o suficiente pra conseguir. Um Deus que me entenda e que seja meu amigo e não um chefe turrão a quem eu deva temor (aliás, acho isso terrível). Mesmo saindo da linha, não deixo de respeitar a importância social que a religião tem e muito menos de fechar os olhos e me dizer ateu, todo mundo acredita em algo, viver é ter fé de que amanhã estará vivo e de que terá tempo para realizar seus sonhos e planos. Se você acredita na vida, já não pode ser ateu. Afinal, o que é mais sobrenatural do que isso tudo?
Beijo gente.
Ah, não esquece de comentar ok?
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